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Mostrando postagens de 2026

NINGUÉM SE PERDE NA VOLTA

Silvio Darlan A primeira vez que ouvi falar de Ricardo Coutinho eu estava lá em Conceição, uma das últimas cidades da Paraíba, acostumada durante muito tempo a olhar o Estado como quem olha de longe para aquilo que acontece nos centros de poder. Ricardo já vinha construindo sua trajetória, mas ainda não era o nome que depois se tornaria conhecido por toda a Paraíba. Talvez por isso eu tenha pensado, agora, no significado de sua volta. Ricardo sempre foi uma figura que fugiu da configuração tradicional da política paraibana. Não nasceu de uma oligarquia, não herdou um grupo político, não recebeu como patrimônio uma estrutura de poder pronta. Construiu seu nome na política, primeiro pela capacidade de fazer política, depois pela habilidade de formar alianças e, sobretudo, pela capacidade de ocupar espaços que pareciam reservados aos mesmos grupos de sempre. As alianças mudaram, os tempos mudaram, mas havia uma coisa que permaneceu: o Ricardo que entrou na política carregando uma determin...

Conceição: documento histórico resgata as origens da cidade e a trajetória de sua formação religiosa

  Publicação da Diocese de Cajazeiras atribui a origem do povoado a João Rodrigues dos Santos e registra a presença de importantes sacerdotes na história de Conceição Silvio Darlan  — Um antigo registro publicado na seção “Paróquias da Diocese de Cajazeiras”, dedicado à Paróquia de Conceição, preserva informações de grande relevância sobre as origens históricas do município e sobre a formação de sua vida religiosa. O texto, assinado por Deusdedit Leitão, apresenta uma narrativa que remonta ao início do século XIX e destaca personagens que tiveram participação decisiva na formação da comunidade. Segundo o registro, o padre Manoel Otaviano atribuía a origem do topônimo e da própria formação da cidade a um olho d’água existente nas proximidades do local onde João Rodrigues dos Santos iniciou a construção de uma capela. A fonte, conhecida como “Olho d’Água da Conceição”, teria sido destruída pelos indígenas que habitavam a região. Apesar disso, segundo a narrativa histórica, o nom...

Em 1890, jornal registrava seca extrema, migração e medo de ataques em Conceição

  Silvio Darlan Correspondência enviada da antiga vila revela como a estiagem de 1888-1889 ainda produzia fome, deslocamentos para o Ceará e sensação de abandono no sertão paraibano. Uma pequena nota publicada há 136 anos ajuda a reconstruir um dos períodos mais difíceis da história do sertão de Conceição, na Paraíba. Na edição de 21 de fevereiro de 1890, o jornal Estado da Parahyba , publicado em Campina Grande, reproduziu uma correspondência enviada da então vila da Conceição, datada de 22 de janeiro daquele ano. O relato descrevia uma população submetida simultaneamente à seca, à fome, à migração e à insegurança. O documento, preservado pela Hemeroteca Digital Brasileira da Fundação Biblioteca Nacional, pertence ao periódico Estado da Parahyba , identificado na própria edição como órgão democrata e publicação semanal. A correspondência aparece na seção intitulada “Gazeta do Sertão”. O texto é curto, mas extraordinariamente expressivo. O correspondente afirmava que “a secca conti...

Há 157 anos, Lei nº 306 extinguia a Paróquia de Conceição criada dois anos antes

  Silvio Darlan Documentos oficiais disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional revelam que uma freguesia havia sido criada em 1866 e revogada pouco mais de dois anos depois. Um capítulo pouco conhecido da história religiosa de Conceição está registrado na legislação provincial do século XIX. Documentos oficiais disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional mostram que, em 9 de outubro de 1866, a Lei nº 255 criou uma freguesia na povoação de Conceição, então pertencente ao termo da Misericórdia. A mesma lei estabeleceu a Capela de Nossa Senhora da Conceição como igreja matriz da nova freguesia. O território da circunscrição seria definido pelas águas que afluíam para o rio Piancó, até o lugar denominado Pombinho. Pouco mais de dois anos depois, porém, a decisão foi revogada. Em 7 de dezembro de 1868, a Assembleia Legislativa Provincial da Parahyba do Norte aprovou a Lei nº 306, cujo primeiro artigo determinava expressamente a revogação da Lei nº 255, de 1866...
  O COROINHA Esta memória é de um domingo. E, por mais que algumas pessoas tenham dificuldade em acreditar, eu era uma criança tímida. Ou talvez ainda seja um pouco. A verdade é que a timidez convivia com outra característica muito mais visível: eu era inquieto. Daquelas crianças que estavam sempre observando alguma coisa, fazendo perguntas, correndo de um lado para o outro e, não raramente, metendo-se em pequenos perigos. Naquele domingo eu devia ter cerca de oito anos. Era um menino magro, desses que pareciam crescer mais para cima do que para os lados. Vestia os conjuntos escolhidos por minha mãe, uma mulher profundamente católica. Minha avó também era católica fervorosa. Naquela casa, a fé não era apenas uma crença. Era parte da rotina. O dia ainda estava amanhecendo quando fui do bairro Nossa Senhora de Fátima em direção à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. A manhã estava fria. Uma névoa fina repousava sobre a grama e cobria partes do caminho. O sol ainda lutava para...

O que Luiz Gonzaga pode ensinar ao Direito?

Silvio Darlan Texto publicado no Jornal A União – Governo do Estado da Paraíba João Pessoa (PB), 11 de julho de 2026 Há quem conheça a seca, a migração e as desigualdades sociais do Nordeste pelos livros de História. Outros, porém, aprenderam essas mesmas lições ouvindo a voz de Luiz Gonzaga. Antes de muitos debates acadêmicos e de inúmeras políticas públicas, suas canções já retratavam a realidade de milhões de brasileiros, transformando a música em um poderoso instrumento de consciência social. Quando ouvimos "Asa Branca", não escutamos apenas uma bela composição. Encontramos a história de uma pessoa obrigado a deixar sua terra porque a seca tornou impossível permanecer nela. O personagem da canção não parte por escolha, mas por necessidade. Sua partida revela a ausência de condições mínimas para uma vida digna, como acesso à água, trabalho e oportunidades. Em poucas estrofes, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira apresentam questões que hoje ocupam espaço na Constituição Feder...

Fatinha Costa

 Silvio Darlan Quando um artista sobe ao palco e emociona uma multidão, o público costuma enxergar apenas a voz, o talento e o brilho daquele momento. Mas, por trás de cada show, cada viagem e cada apresentação, existem pessoas que trabalham para que tudo aconteça. É nesse lugar especial que está Fatinha Costa. Há muitos anos ao lado de Elba Ramalho, Fatinha se tornou uma figura querida por todos que acompanham a cantora. Seu trabalho nos bastidores é fundamental: ela ajuda a organizar detalhes, acompanha a rotina da artista, participa da preparação dos shows e contribui para que tudo esteja pronto quando Elba entra em cena. Quem conhece a trajetória de Elba sabe que uma grande carreira não é construída apenas com talento, mas também com uma equipe dedicada e comprometida. Fatinha é uma dessas pessoas que fazem a diferença sem precisar aparecer. Sua força está na organização, no cuidado e na dedicação diária. Com o passar dos anos, a relação de Fatinha com os fãs de Elba Ramalho ul...

Tema Repetitivo 1249 do STJ e a Natureza das Medidas Protetivas de Urgência

Silvio Darlan O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Tema Repetitivo 1249, consolidou importante entendimento sobre as medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. A Corte reconheceu que essas medidas possuem natureza jurídica de tutela inibitória, ou seja, sua finalidade principal é prevenir a ocorrência ou a continuidade da violência contra a mulher. Dessa forma, a concessão e a manutenção da proteção não dependem necessariamente da existência de inquérito policial, ação penal ou processo cível em andamento, pois o objetivo maior é evitar que a situação de risco produza novos danos à vítima. Outro ponto relevante definido pelo STJ é que as medidas protetivas não devem ser fixadas por prazo previamente determinado. A duração da proteção está diretamente ligada à permanência da situação de risco enfrentada pela mulher. Assim, enquanto houver elementos concretos que demonstrem a necessidade de proteção, a medida deve permanecer em vigor. Esse entendimento fortale...
AVE DE PRATA (1979)   Silvio Darlan Publicado no Jornal A UNIÃO em 06.05.2026 Lançado em 1979, Ave de Prata , de Elba Ramalho, atravessa o tempo como uma obra que não se esgota em seu contexto de origem. Passadas mais de quatro décadas, o disco mantém acesa uma força criativa que continua firme na música brasileira, não apenas pela sonoridade, mas pela atitude artística que carrega e pela identidade que afirma. Desde o início, o álbum se impõe por sua energia intensa. É um trabalho vibrante, marcado por ritmos nordestinos, pela pulsação do baião e por uma expressividade que remete às raízes mais profundas da cultura popular. Elba não apenas canta: ela interpreta, encena e imprime em cada faixa uma identidade própria, construída a partir de suas vivências e de sua ligação visceral com o Nordeste brasileiro. A condução musical de Geraldo Azevedo garante coesão ao projeto, ao mesmo tempo em que abre espaço para a diversidade criativa dos músicos envolvidos. Nomes como Sivuca, Domi...

PLEASURE: A MÚSICA QUE SE TORNOU A VOZ DAS DESPEDIDAS EM PIANCÓ

  Silvio Darlan Sempre associamos uma música a algum momento de nossa vida. Há canções que nos fazem recordar um grande amor, uma amizade inesquecível, uma viagem distante ou uma fase marcante da juventude. A música possui uma capacidade singular de despertar memórias afetivas. Ela atravessa o tempo, resgata emoções e nos transporta para lugares que, muitas vezes, já não existem, exceto dentro de nós. Mas algumas músicas seguem caminhos inesperados. Foi o que aconteceu com a composição instrumental "Pleasure" , faixa que dá nome ao álbum lançado em 1980 pelo pianista e compositor norte-americano Stephen Schlaks. O disco, considerado o sexto álbum de estúdio do artista, reúne dez composições instrumentais marcadas pela suavidade do piano, por arranjos orquestrais delicados e por uma atmosfera profundamente emocional. A obra contou ainda com arranjos e direção orquestral do maestro italiano Vince Tempera. Stephen Schlaks construiu sua carreira explorando melodias românticas e c...