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Quando ser você era um ato de coragem Por Silvio Darlan

 Quando ser você era um ato de coragem

Por Silvio Darlan



Em Conceição-PB, no tempo em que tudo era proibido de se dizer, Antônio Caxeado se tornou um nome impossível de calar. Nascido Antônio Marinho, foi o primeiro homem da cidade a viver sua verdade de forma aberta — em uma época em que isso significava enfrentar o desprezo, o medo e o risco de morrer por ser diferente.

Enquanto o mundo dizia “não”, ele dizia “sim” a si mesmo. Não pedia desculpas, não se escondia, não se curvava. Sua existência, por si só, era um desafio à hipocrisia. Em uma cidade conservadora, Antônio foi a resistência viva, sem discurso, sem militância — só com presença.

Era pobre, era simples, mas não era invisível. Sabia cozinhar como poucos. Sua comida encantava festas, batizados, casamentos. Gente importante o contratava. E mesmo aqueles que cochichavam pelas costas, o tratavam com respeito quando precisavam da sua arte. Conquistou espaço com a força do seu talento e da sua humanidade.

Mas o mundo que ele enfrentou com coragem também foi o mundo que o matou. Antônio Caxeado foi assassinado em Juazeiro do Norte-CE, vítima de um crime de homofobia. Morreu como muitos morrem até hoje: por ser quem era.

A história de Caxeado é feita de dor, mas também de orgulho e memória. Ele abriu caminho para que outros pudessem caminhar com menos medo. Seu nome merece estar nas lembranças da cidade, nas rodas de conversa, nas homenagens públicas. Não pela violência que o matou, mas pela liberdade com que escolheu viver.

Num tempo em que ser diferente era crime, ele foi autêntico. Foi inteiro. Foi verdadeiro. E isso, por si só, é um legado.

 


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