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As grades de Brasília e as grades para o julgamento de Bolsonaro

Hugo Barreto/Metrópoles
Silvio Darlan

Hoje li uma matéria no jornal Folha de São Paulo sobre os preparativos de segurança na Praça dos Três Poderes, especialmente na área do Palácio do Supremo Tribunal Federal. O julgamento de Bolsonaro será histórico, não apenas para a democracia brasileira, mas para todas as democracias da América Latina.

Nos últimos anos, o Brasil não teve a devida justiça de transição nem punição adequada para aqueles que, durante a ditadura civil-militar, cometeram crimes contra os direitos humanos. A história mostrou que muitas vozes contrárias à ditadura foram mortas, sem que seus autores fossem responsabilizados.

Segundo a matéria, uma grande estrutura está sendo montada para garantir a segurança dos servidores e ministros que analisarão esse caso. É uma história bizarra que precisa ser tratada com justiça, respeitando todo o devido processo legal, que é o que sustenta a nossa democracia.

Mas algo me chamou atenção: as grades. Aquelas grades de metal, móveis, que cercavam os palácios — do Planalto, do Congresso e do STF — foram simbolicamente retiradas após os ataques do dia 8 de janeiro, pelo presidente do STF, Luiz Roberto Barroso, pelo então presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, e pelo presidente Lula. Porém, depois do episódio do homem que se explodiu em frente ao STF, foi necessário recolocá-las.

Isso me trouxe uma reflexão. Brasília, projetada por Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer, nasceu para ser uma cidade livre, aberta, com circulação ampla. Na visão de Lúcio Costa, a área urbana foi organizada em pelotis, conjuntos urbanos planejados para garantir mobilidade e integração entre residências, comércio e espaços públicos. Um conceito que representava liberdade e facilidade de circulação — mas que hoje contrasta com a necessidade de cercar áreas para proteger a democracia.

Um lugar que nasceu para a liberdade está cercado para evitar atos inconsequentes e criminosos, como os de 8 de janeiro, dia em que estive presente e fui testemunha ocular. Esperamos que tais episódios jamais se repitam e que todos os responsáveis, tanto pelo planejamento, financiamento quanto pela execução da tentativa de golpe, sejam punidos. Ditadura nunca mais.


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