| Hugo Barreto/Metrópoles |
Hoje li uma matéria no jornal Folha de São Paulo sobre os preparativos de segurança na Praça dos Três Poderes, especialmente na área do Palácio do Supremo Tribunal Federal. O julgamento de Bolsonaro será histórico, não apenas para a democracia brasileira, mas para todas as democracias da América Latina.
Nos últimos anos, o Brasil não teve a devida justiça de transição nem punição adequada para aqueles que, durante a ditadura civil-militar, cometeram crimes contra os direitos humanos. A história mostrou que muitas vozes contrárias à ditadura foram mortas, sem que seus autores fossem responsabilizados.
Segundo a matéria, uma grande estrutura está sendo montada para garantir a segurança dos servidores e ministros que analisarão esse caso. É uma história bizarra que precisa ser tratada com justiça, respeitando todo o devido processo legal, que é o que sustenta a nossa democracia.
Mas algo me chamou atenção: as grades. Aquelas grades de metal, móveis, que cercavam os palácios — do Planalto, do Congresso e do STF — foram simbolicamente retiradas após os ataques do dia 8 de janeiro, pelo presidente do STF, Luiz Roberto Barroso, pelo então presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, e pelo presidente Lula. Porém, depois do episódio do homem que se explodiu em frente ao STF, foi necessário recolocá-las.
Isso me trouxe uma reflexão. Brasília, projetada por Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer, nasceu para ser uma cidade livre, aberta, com circulação ampla. Na visão de Lúcio Costa, a área urbana foi organizada em pelotis, conjuntos urbanos planejados para garantir mobilidade e integração entre residências, comércio e espaços públicos. Um conceito que representava liberdade e facilidade de circulação — mas que hoje contrasta com a necessidade de cercar áreas para proteger a democracia.
Um lugar que nasceu para a liberdade está cercado para evitar atos inconsequentes e criminosos, como os de 8 de janeiro, dia em que estive presente e fui testemunha ocular. Esperamos que tais episódios jamais se repitam e que todos os responsáveis, tanto pelo planejamento, financiamento quanto pela execução da tentativa de golpe, sejam punidos. Ditadura nunca mais.
Comentários
Postar um comentário